The End of the Soviet Union 1991

Em 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev renunciou e a bandeira soviética foi substituída pela da Federação Russa, encerrando a URSS. Documentos desclassificados publicados em *The Last Superpower Summits* (CEU Press) demonstram que, contrariamente à narrativa triunfalista, a política central da

The End of the Soviet Union 1991

RESUMO OPERACIONAL

Em 25 de dezembro de 1991, Mikhail Gorbachev renunciou e a bandeira soviética foi substituída pela da Federação Russa, encerrando a URSS. Documentos desclassificados publicados em *The Last Superpower Summits* (CEU Press) demonstram que, contrariamente à narrativa triunfalista, a política central da administração George H.W. Bush ao longo de 1991 foi preservar a União sob Gorbachev, temendo uma desintegração violenta — "Iugoslávia com armas nucleares", nas palavras de um funcionário americano. A reunião do NSC em 5 de setembro de 1991 expôs uma fratura doutrinária dentro do governo Bush sobre como gerir o colapso de um adversário nuclear.

Contexto

O ano de 1991 concentrou as forças centrífugas que dissolveram a URSS. Gorbachev negociava um novo Tratado da União que descentralizaria poderes para as 15 repúblicas, com assinatura prevista para 20 de agosto — gatilho direto da tentativa de golpe pelos linha-dura em 19 de agosto. O fracasso do golpe humilhou Gorbachev, desacreditou os órgãos de segurança do Estado (KGB, MVD, parte do Exército) e elevou Boris Yeltsin à condição de figura central da política russa após sua resistência sobre o tanque diante da Casa Branca em Moscou.

A partir desse vácuo, os primeiros-secretários do PCUS nas repúblicas reposicionaram-se como líderes nacionalistas, cooptando movimentos dissidentes autênticos — caso paradigmático do ucraniano Leonid Kravchuk, que neutralizou o Rukh e capturou a agenda da independência. Em paralelo, Washington enfrentava o problema de aproximadamente 3.000 ogivas estratégicas estacionadas fora da Rússia (Ucrânia, Cazaquistão, Bielorrússia), além de armas nucleares táticas dispersas em 14 das 15 repúblicas — fato cuja extensão os EUA desconheciam à época.

Análise

Nível Tático

A janela operacional pós-golpe foi estreita. Bush identificou que Gorbachev tinha tempo limitado para implementar acordos vinculantes e abandonou posições rígidas previamente sustentadas pelo establishment de defesa, notavelmente a manutenção de armas nucleares táticas em navios da Marinha dos EUA — posição cuja lógica estratégica jamais correspondera ao interesse americano dado o extenso litoral próprio. Em 27 de setembro de 1991, Bush apresentou um pacote unilateral de iniciativas de desarmamento, com Moscou respondendo em 5 de outubro com contrapropostas igualmente ambiciosas. A retirada e consolidação resultantes evitaram que centenas a milhares de ogivas permanecessem dispersas em mais de uma dúzia de repúblicas no momento do colapso — o maior recuo do Relógio do Juízo Final do *Bulletin of the Atomic Scientists* até então.

Nível Operacional

A campanha de Gorbachev no outono de 1991 — sua "ofensiva de outono" — combinava reforma do tratado da União com reposicionamento internacional, dado que Yeltsin já dominava a esfera doméstica russa. A coordenação EUA-URSS para denuclearização parcial operou como mecanismo paralelo às disputas internas soviéticas: Bush ofereceu a Gorbachev capital político internacional em troca de ações concretas sobre o arsenal. A logística do desarmamento, contudo, tornou-se inseparável da questão sucessória — qual entidade estatal herdaria o comando-controle nuclear, com qual cadeia de custódia, sob qual regime de verificação. A resposta institucional viria apenas com o Acordo de Belovezha (8 de dezembro) e o Protocolo de Alma-Ata (21 de dezembro), que designaram a Rússia como Estado-sucessor único para fins do arsenal estratégico.

Nível Estratégico

A reunião do NSC de 5 de setembro de 1991 revelou três escolas concorrentes dentro do governo Bush, cuja persistência ainda informa o debate estratégico americano. Dick Cheney defendeu a desintegração rápida como redução líquida de ameaça — "the voluntary breakup of the Soviet Union is in our interest" —, lógica que privilegia a fragmentação do adversário sobre considerações de estabilidade. Brent Scowcroft formulou a posição mais radical: "I thought there was positive benefit in the breakup of command and control over strategic nuclear weapons (...) Anything which would serve to dilute the size of an attack we might have to face was, in my view, a benefit well worth the deterioration of unified control over the weapons." Esta visão inverte a doutrina nuclear consolidada desde a Crise dos Mísseis de Cuba, quando Kennedy preocupava-se com uma única bomba sobre uma cidade americana. Baker e Bush sustentaram a posição contrária — preservação da União com centro fraco como antídoto a um cenário iugoslavo nuclearizado.

A vitória relativa da linha Baker-Bush produziu o quadro doutrinário que governaria a política americana nos anos seguintes: priorização da desnuclearização das repúblicas não-russas (consolidando a Rússia como herdeira nuclear única), preservação de Gorbachev enquanto interlocutor até o limite do viável, e relutância em estimular abertamente movimentos secessionistas — postura visível no célebre discurso "Chicken Kiev" de Bush em 1º de agosto de